quarta-feira, 29 de agosto de 2018

Um Desabafo, Um Alerta!


Iustração: gettyimages
Olá, é difícil para mim falar sobre isso, já sofri e ainda sofro com essa situação, mas algo dentro de mim diz que eu preciso me abrir e me desvencilhar de tudo isso e quem sabe essa seja a chance.
Venho de uma família pequena e problemática. Me lembro até hoje... Tinha 5 anos de idade, estava com um maiô vermelho de gola brilhante que havia ganho da vizinha, em frente à tv brincando com minha boneca e quem estava responsável por mim era meu irmão do meio, que tinha 15 ou 16 anos na época, não lembro. Minha mãe estava hospitalizada, ele chegou perto de mim e mandou que eu tirasse o biquíni e deitasse na cama, eu não entendi, mas obedeci, fiz o que ele disse e deitei,ele começou a me acariciar, passar as mãos na minha genitália, a me beijar e eu comecei a ficar sufocada, não estava gostando daquilo, pedi para voltar a brincar e ele não deixou eu sair do lugar, mandou que ficasse quieta pois ele não ia me machucar, tirou suas calças e subiu em cima de mim. Lembrar isso me deixa mal, eu queria correr, sumir, fugir para qualquer lugar. A dor que eu senti era tão intensa, foram longos minutos sofrendo. Quando ele saiu  de cima de mim eu vi sangue e comecei a chorar, minhas pernas doíam, ele foi comigo ao banheiro e mandou eu me lavar e disse que não contasse a ninguém senão a mamãe não voltaria do hospital e ia morrer se soubesse daquilo.
Passei  a ser uma criança calada, fiquei doente e não contei nada para minha mãe quando ela voltou. Logo depois ele saiu de casa e eu voltei a ser uma criança ‘’normal’’, eu lembrava daquilo mas o fato de ele não estar mais por perto me deixava feliz. Alguns anos se passaram, levava uma vida normal, Nessa época eu tinha 11 anos quando o filho pródigo resolveu voltar. Nada poderia ser pior, minha mãe, em depressão, passava dias trancada em seu quarto, éramos só nós duas, eu me virava como podia, a solidão era minha companheira.
Mas... Ledo engano, foi aí que as coisas pioraram. Tinha dois quartos na casa e nós passamos a dividir o mesmo quarto. Uma noite ele saiu, eu estava dormindo tranquila quando senti alguém em cima de mim, mexendo nas minhas partes íntimas. O cheiro do álcool, quis gritar, não deu, ele me sufocou com as mãos e ali ele novamente fez o que quis. Depois foi para sua cama e dormiu o sonos dos anjos, eu chorava e pensava como me livrar daquele monstro, mas eu sabia que se contasse à minha mãe aquilo iria piorar a situação dela e eu não queria carregar nos ombros a culpa da morte dela, ela mal podia caminhar e sequer  se vestia sozinha.
Eu implorava a ela que me deixasse dormir com ela, mas meu pedido nunca foi atendido, muitas vezes eu me escondia embaixo da cama e ele me arrastava como bicho e assim satisfazia o capricho dele de me molestar. Eu passei a ser uma criança revoltada pela situação e mais o  fato da doença da minha mãe me fizeram muitas vezes pensar no suicídio, mas eu não podia abandoná-la, não podia me dar a esse "luxo". Ele tinha a cara de pau de dizer que o dia que eu fosse namorar teria que pedir autorização para ele se quisesse, pois ele era o único homem da casa, portanto responsável e teria que casar de véu e grinalda na igreja, falando isso frente da minha mãe, como ele podia ser tão desumano?!
Quando eu estava com 13 anos e cansada ao extremo daquela vida, em um dia que minha mãe estava muito mal e brigando comigo, eu não aguentei  e contei tudo, joguei pra fora tudo o que eu tinha passado, fazia uns 6 meses que ele tinha se casado e tinha ido embora. Para minha maior dor, e o que me faz sofrer até hoje, ela não acreditou em mim, disse que era mentira, que eu falava aquilo só porque eu sabia que ela estava com saudades dele e estava com ciúmes dela. Eu saí e deixei ela falando sozinha, como podia eu ter passado por isso tudo por ela e agora eu ainda ter que ouvir isso?
Minha própria mãe não me deu créditos, depois disso não tocamos mais no assunto, ela passou a mal falar comigo, mas eu sabia e via que ela estava sofrendo, eu ainda me arrependo até hoje de ter contado, ela passou a ficar semanas dentro do quarto até que teve um AVC e foi parar na UTI. Me sinto culpada até hoje e sinto que ajudei a piorar a situação dela. Quando estava na UTI, ela me chamou e disse que acreditava em mim que eu o perdoasse, que ele era muito jovem e não sabia o que fazia, um dia depois ela faleceu.
Eu sou casada,mas não esqueço disso tudo que houve,não confio em ninguém, não consigo me apegar a ninguém, me sinto vazia, só amo as minhas filhas. Se alguém fizesse algo com elas com certeza eu mataria.
Tenho quase 30 anos, vivo de fases, tem tempos que estou bem, outros me controlo para não cometer uma besteira tamanho o sufoco que sinto dentro de mim. Vivo brincando e falando besteiras para tentar esquecer do passado, pra esconder a solidão que existe dentro de mim. Desisti da psicóloga e seus remédios controlados, só me lembro dela quando passo dias com insônia. Apesar de minha mãe ter pedido, não perdoei meu irmão, não me sinto apta a fazer isso, faz anos que não o vejo mais e nem desejo voltar a vê-lo.
A quem ler este desabafo eu peço humildemente que prestem atenção nas suas crianças, tenham sempre um pé atrás porque vocês não têm noção do comportamento de um estuprador pedófilo, ele está onde menos se possa imaginar, ele tem caráter impecável perante a sociedade e ninguém desconfia.
Agradeço sinceramente e desculpem por me estender tanto, mas eu senti que precisava fazer isto também para alertar outras pessoas de algo que pode estar acontecendo dentro se suas casas, mais uma vez obrigado.

Um comentário:

  1. Nossa e com essas histórias que a gente vê que somos fracos, me emocionei

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